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Madonna
Madonna durante a Rebel Heart Tour em 2016
Nome completo Madonna Louise Ciccone
Pseudônimo(s) Rainha do Pop
Outros nomes Madonna Louise Veronica Ciccone (nome Católico de confirmação)
Nascimento 16 de agosto de 1958 (63 anos)
Bay City; Michigan
Residência Nova Iorque; Nova Iorque; Estados Unidos
Nacionalidade norte-americana
Cônjuge
Filho(a)(s) 6
Ocupação Cantora  · compositora  · atriz  · empresária  · produtora musical  · dançarina  · cineasta  · escritora  · filantropa
Período de atividade 1979 (1979)–presente
Prêmios Lista completa
Carreira musical
Gênero(s) Pop  · eletrônica  · dance
Instrumento(s) Vocais  · violão  · guitarra  · bateria  · percussão
Gravadora(s) Sire  · Warner Bros.  · Maverick  · Interscope
Afiliações
Página oficial
madonna.com

Madonna Louise Veronica Ciccone (Bay City, 16 de agosto de 1958) é uma cantora, compositora, produtora musical, atriz, escritora, dançarina e empresária americana. Referida como a "Rainha da música pop", desde os anos 1980, ela é considerada uma das figuras de maior impacto na cultura popular por sua contínua reinvenção e versatilidade na produção musical, composição e apresentação visual de sua obra. Ela ultrapassou os limites da expressão artística na música comercial, permanecendo completamente no comando de todos os aspectos de sua carreira. Suas obras, que incorporam temas sociais, políticos, sexuais e religiosos, geraram aclamação e controvérsias da crítica e do público. Madonna é freqüentemente citada como uma influência para outros artistas na concepção e produção de suas artes.

Nascida e criada em Michigan, Madonna se mudou para a cidade de Nova Iorque em 1978 para seguir carreira na dança contemporânea. Depois de se apresentar como baterista, guitarrista e vocalista nas bandas de rock Breakfast Club e Emmy, ela assinou contrato com a gravadora Sire em 1982 e no ano seguinte liberou seu álbum de estreia homônimo. Sua popularidade seguiu crescendo com o lançamento de uma série de discos de sucesso, incluindo dois dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, Like a Virgin (1984) e True Blue (1986), bem como os vencedores do prêmio Grammy, Ray of Light (1998) e Confessions on a Dance Floor (2005). Muitos singles lançados por Madonna ao longo de sua carreira alcançaram o número um em vários países, incluindo "Like a Virgin", "Live to Tell", "La Isla Bonita", "Like a Prayer", "Vogue", "Take a Bow", "Frozen", "Music", "Hung Up" e "4 Minutes".

A versatilidade artística de Madonna aumentou ainda mais por sua atuação em filmes como Desperately Seeking Susan (1985), Dick Tracy (1990), A League of Their Own (1992) e Evita (1996). Apesar de ganhar um Globo de Ouro por Evita, muitos de seus outros filmes receberam críticas negativas. Como empresária, Madonna fundou uma empresa de entretenimento chamada Maverick em 1992 e lançou marcas de moda, além de livros infantis, clubes de saúde e produção de filmes. Ela contribui para várias instituições de caridade, tendo fundado a Fundação Ray of Light em 1998 e Raising Malawi em 2006.

Tendo vendido mais de 300 milhões de obras musicais em todo o mundo, Madonna é a artista feminina mais bem sucedida de todos os tempos segundo o livro de recordes mundiais Guinness. A revista Billboard a nomeou a artista solo de maior sucesso na história da tabela Hot 100. Ela detém o recorde de maior quantidade de canções na liderança por uma artista feminina na Austrália, Canadá, Espanha, Itália e Reino Unido. Ela continua a ser a artista solo com a maior arrecadação com turnês de todos os tempos, acumulando mais de um bilhão com seus ingressos para shows. Madonna foi incluída no Salão da Fama do Rock and Roll em 2008, seu primeiro ano de elegibilidade. A rede VH1 a classificou como a maior entre as 100 maiores mulheres da música, enquanto a revista Rolling Stone a listou entre as 100 maiores artistas e uma das 100 maiores compositoras de todos os tempos.

Vida pública e carreiraEditar

1958—81: Primeiros anos e início da carreiraEditar

Madrasta e pai de Madonna, Joan e Tony Ciccone, em 2009

Madonna Louise Ciccone nasceu em Bay City, Michigan em 16 de agosto de 1958. Sua mãe, Madonna Louise Fortin, era descendente de franco-canadenses, e seu pai, Silvio Anthony Ciccone, é ítalo-americano.[1][2] A família Ciccone é originária de Pacentro, Itália; seu pai emigrou da Europa para trabalhar nos EUA como engenheiro de design na Chrysler e General Motors. Madonna foi apelidada de "Little Nonni" para diferenciá-la de sua mãe.[3][4] Ela é a terceira de seis filhos, seus irmãos mais velhos são Martin e Anthony e seus irmãos mais novos, Paula, Christopher e Melanie.[4] Em 1963, sua mãe faleceu de câncer de mama aos 30 anos, quando Madonna tinha apenas cinco anos.[5]

Madonna aprendeu a cuidar de si mesma e de seus irmãos e voltou para a casa da avó na esperança de encontrar algum conforto e algum tipo de figura materna nela. Os irmãos Ciccone mantiveram a casa em ordem e invariavelmente se rebelaram contra quem viesse a sua casa para ocupar o lugar de sua amada mãe.[6] Em entrevista à revista Vanity Fair, a cantora comentou que na juventude se via como uma "garota solitária que estava procurando por algo. Eu não era uma rebelde, de forma alguma. Eu me preocupava em ser boa em alguma coisa. Não depilava as axilas e não usava maquiagem como as outras meninas. Mas estudava e tirava boas notas ... Queria ser alguém".[6] Com medo da ideia de seu pai ir embora também, Madonna frequentemente não conseguia dormir a menos que estivesse perto dele.[6] Seu pai se casou com a governanta da família, Joan Gustafson, e juntos tiveram dois filhos: Jennifer e Mario Ciccone.[7] Mais tarde, ela estudou na Rochester Adams High School e tornou-se uma aluna modelo, além de ser membro da equipe de torcida.[5] Após a formatura, ela recebeu uma bolsa de estudos para cursar dança na Universidade de Michigan.[8] Ela convenceu seu pai a permiti-la ter aulas de balé e foi persuadida por seu professor, Christopher Flynn, a seguir uma carreira no mundo da dança.[9][10]

Em 1978, Madonna abandonou a escola e mudou-se para Nova Iorque.[2] Sobre essa mudança ela disse: "Foi a primeira vez que viajei de avião e a primeira vez que viajei de táxi. Vim aqui com 35 dólares no bolso. Foi a coisa mais corajosa que já fiz".[11] Madonna começou a trabalhar como dançarina substituta para outros artistas. Durante uma noite, enquanto voltava de um ensaio, ela foi arrastada para um beco por dois homens e forçada a fazer sexo oral neles. A artista comentou que "o episódio testou minhas fraquezas, me mostrou que eu ainda não conseguia me salvar apesar de todo o look de garota forte. Eu não posso esquecer nunca isso".[12] Enquanto atuava como dançarina do cantor francês Patrick Hernandez em sua turnê mundial em 1979,[5] Madonna se envolveu romanticamente com o músico Dan Gilroy. Juntos, eles formaram sua primeira banda de rock Breakfast Club, onde ela cantava e tocava guitarra e bateria.[13] Em 1980 ela deixou o Breakfast Club e, com seu então namorado Stephen Bray como baterista, formaram a banda Emmy.[2] Logo, Bray e Madonna se separaram do grupo e começaram a trabalhar em algumas faixas orientadas para a música dance e disco. Uma fita demo dessas faixas chegou até Mark Kamins, um DJ/produtor de Nova Iorque. Kamins dirigiu a fita para a Sire — um selo discográfico pertencente a Warner Bros. — que contratou a cantora em 1982.[2]

1982–85: Madonna, Like a Virgin, Virgin Tour e casamento com Sean PennEditar

Depois que Madonna assinou um contrato de gravação, seu single de estreia, "Everybody", foi liberado em outubro de 1982 e o segundo, "Burning Up", em março do ano seguinte.[14] Ambos se tornaram grandes sucessos na parada de canções dance compilada pela revista Billboard.[14] Após esse sucesso, ela começou a trabalhar em seu álbum de estreia, produzido principalmente por Reggie Lucas.[15] No entanto, a cantora não ficou feliz com as faixas criadas e discordou das técnicas de produção dele, então decidiu procurar ajuda adicional.[15] Madonna foi morar com o namorado John "Jellybean" Benitez, pedindo ajuda dele para terminar a produção do material.[15] Benitez remixou a maioria das faixas presentes na obra e produziu "Holiday", que se tornou seu terceiro single e o primeiro grande sucesso internacional de sua carreira.[16] O álbum foi lançado em julho de 1983 e seis meses depois alcançou a oitava posição na Billboard 200, em 1984.[17] Ele rendeu dois singles entre os dez primeiros da Billboard 100, "Borderline" e "Lucky Star".[18]

Madonna com sua equipe na The Virgin Tour, em 1985.

O visual e o estilo de vestir de Madonna, bem como suas performances e videoclipes começaram a influenciar meninas e mulheres.[19] Seu estilo se tornou uma das tendências da moda feminina dos anos 80.[19] Criado pelo estilista e designer de jóias Maripol, o visual consistia em blusas de renda, saias sobre calças capri, meias arrastão, jóias com crucifixo, pulseiras e cabelos descoloridos.[20] A popularidade da artista continuou a aumentar globalmente com o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, Like a Virgin, em novembro de 1984, que se tornou o primeiro disco número um de sua carreira nos EUA.[17] O projeto foi também o primeiro álbum de uma mulher a vender mais de cinco milhões de cópias em território americano.[21] Mais tarde, obteve uma certificação de diamante entregue pela Recording Industry Association of America (RIAA) e já vendeu mais de vinte milhões de exemplares em todo o globo.[22][23] A faixa-título do disco serviu como seu primeiro single de sua promoção e ficou no topo da parada Hot 100 por seis semanas consecutivas.[18] A música e o videoclipe que o acompanha, atraíram a atenção de organizações conservadoras que se queixavam de que ambos estavam promovendo o sexo antes do casamento e minava os valores familiares,[24] os moralistas procuraram proibir suas reproduções em canais televisivos e no rádio.[25] Madonna recebeu uma enorme cobertura da mídia por sua performance de "Like a Virgin" no primeiro Prêmio de Música da MTV em 1984. Usando um vestido de noiva e luvas brancas, a cantora apareceu no palco em cima de um enorme bolo de casamento e em seguida, rolou sugestivamente no chão.[26] A MTV, retrospectivamente, considerou-a uma das performances pop "mais icônicas" de todos os tempos.[26] O segundo single lançado, "Material Girl", alcançou o segundo lugar no Hot 100 e foi promovido por um videoclipe inspirado na admiração da cantora por Marilyn Monroe e prestou uma homenagem ao número "Diamonds Are a Girl's Best Friend" interpretado por ela no filme Gentlemen Prefer Blondes (1953).[27] Enquanto filmava este vídeo, Madonna começou a namorar o ator Sean Penn. Eles se casaram no aniversário dela em 1985.[28]

A cantora entrou no cinemas em fevereiro de 1985, começando com uma breve aparição cantando em Vision Quest, um filme de drama romântico.[29] Sua trilha sonora continha duas faixas inéditas interpretadas por ela, seu single número um nos EUA, "Crazy for You", e outra, intitulada "Gambler".[18] Ela também desempenhou o papel-título na comédia Desperately Seeking Susan de 1985, um filme que apresentou a música "Into the Groove", seu primeiro single número um no Reino Unido.[16] A popularidade da artista fez com que o filme fosse totalmente associado a ela, apesar de não ter sido anunciada como a atriz principal.[30] Em uma publicação no The New York Times, o crítico de cinema, Vincent Canby o nomeou uma das dez melhores produções cinematrográficas de 1985.[31] A partir de abril daquele ano, Madonna embarcou em sua primeira turnê, intitulada The Virgin Tour, a digressão que percorreu a América do Norte a apresentou ainda como um fenômeno aspirante.[32] Naquela época, ela lançou mais dois grandes sucessos, "Angel" e "Dress You Up", no qual todos alcançaram as cinco primeiras posições na parada Hot 100.[18] Em julho, as revistas Penthouse e Playboy publicaram várias fotos da cantora nua, tiradas em Nova Iorque em 1978.[33] Ela havia posado para as fotografias porque precisava de dinheiro na época e recebeu apenas 25 dólares por sessão.[34] A publicação das fotos causou um alvoroço na mídia, mas Madonna permaneceu "sem ser desculpar ou se envergonhar".[33] Posteriormente, os direitos das fotografias foram entregues a cantora por 100 mil dólares.[33] Ela ironizou a situação durante o festival beneficente Live Aid, dizendo que não tiraria a jaqueta na ocasião porque "[a mídia] poderá usar isso contra mim daqui a dez anos".[33][35]

1986–91: True Blue, Who's That Girl Tour, Like a Prayer, Blond Ambition World Tour e Dick TracyEditar

Em 30 de junho de 1986, Madonna lançou seu terceiro álbum de estúdio, True Blue, inspirado e dedicado ao seu marido Penn.[36] A revista Rolling Stone ficou impressionada com o trabalho, escrevendo que o disco "soa como se viesse do coração".[37] Cinco singles foram liberados — "Live to Tell", "Papa Don't Preach", "True Blue", "Open Your Heart" e "La Isla Bonita" — todos alcançaram o número um nos Estados Unidos ou no Reino Unido.[16][18] O álbum liderou as paradas de 28 países em todo o mundo, uma conquista sem precedentes na época, e continua sendo o álbum de estúdio mais vendido da cantora, com vendas superiores a vinte e cinco milhões de unidades.[38][39] True Blue foi inserido na edição de 1992 do livro de recordes mundiais Guinness como o álbum mais vendido de todos os tempos por uma mulher.[40]

Madonna se apresentando ao vivo em Rotterdam como parte da Who's That Girl World Tour, em 1987.

Madonna estrelou o filme Shanghai Surprise em 1986, pelo qual recebeu seu primeiro Prêmio Framboesa de Ouro de pior atriz.[41] Ela fez sua estreia nos teatros, interpretando Lorraine na peça Goose and Tom-Tom sendo dirigida por David Rabe.[42] No ano seguinte, a cantora foi destaque no filme Who's That Girl, no qual contribuiu com quatro músicas para a trilha sonora do projeto, incluindo a faixa-título e "Causing a Commotion".[17] Em junho de 1987, ela embarcou na turnê mundial Who's That Girl, que continuou até setembro.[43][44] A digressão tornou-se um sucesso de público, incluindo mais de cento e trinta mil expectadores em um show perto de Paris, quebrando o recorde de concerto feminino mais assistido de todos os tempos.[45] Mais tarde, ela liberou uma coletânea com remixes de seus grandes sucessos, You Can Dance, que alcançou o número catorze na Billboard 200.[17] Em janeiro de 1989, Madonna pediu o divórcio de Penn, citando diferenças irreconciliáveis.[28] No mesmo mês, a cantora assinou um acordo com a fabricante de refrigerantes, Pepsi. Em um comercial da empresa, ela estreou "Like a Prayer", o primeiro single e faixa-título de seu quarto álbum de estúdio. O videoclipe apresentava símbolos católicos como estigmas, cruzes em chamas e um sonho no qual beija um santo negro, levando o Vaticano a condená-lo. Grupos religiosos tentaram banir os produtos comerciais da Pepsi, levando a empresa a revogar o comercial e cancelar seu contrato de patrocínio com a cantora.[5][46] Apresar da controvérsia, "Like a Prayer" liderou as paradas de vários países, tornando-se seu sétimo número um no Hot 100.[18]

Madonna coescreveu e coproduziu seu disco de estúdio, Like a Prayer, com Patrick Leonard, Stephen Bray e Prince.[47] O crítico de música JD Considine, da Rolling Stone, o considerou "o mais perto possível da arte que a música pop já esteve".[48] A obra alcançou a liderança na Billboard 200 e vendeu mais de quinze milhões de exemplares mundialmente.[17][49] Outros singles de sucesso do projeto incluí "Express Yourself" e "Cherish", ambos alcançaram o segundo lugar nos EUA, bem como os cinco primeiros lugares no Reino Unido.[16][18] No final da década de 1980, a MTV e a Billboard elegeram Madonna a "Artista da Década".[50][51] Em seguida, a cantora deu vida a Breathless Mahoney no filme Dick Tracy (1990), com Warren Beatty no papel principal.[52] O filme foi sucesso de bilheteria nos EUA e Madonna recebeu uma indicação ao Prêmio Saturno como Melhor Atriz.[53][54] Para acompanhar o lançamento da produção, a cantora participou do álbum de trilha sonora, intitulado I'm Breathless, que incluía músicas inspiradas no enredo do filme. Além de extrair a faixa inédita "Vogue", que alcançou a liderança nos EUA.[18] Enquanto filmava, Madonna começou um relacionamento com Beatty, que se dissolveu no final de 1990.[55]

Madonna apresentando "Like a Virgin" durante a Blond Ambition World Tour, em 1990, no qual ela simulava masturbação.

Entre abril a agosto de 1990, Madonna percorreu o mundo com a turnê Blond Ambition.[56] A Rolling Stone a ressaltou por conter uma "extravagância elaborada, coreografada e sexualmente provocante" e a considerou "a melhor turnê de 1990".[57] A digressão gerou forte reação negativa de grupos religiosos pela performance de "Like a Virgin", no qual dois dançarinos acariciavam o corpo da cantora até que ela começasse a simular jestos de masturbação.[43] Em resposta, Madonna disse: "A turnê não ofende ninguém. É para [as pessoas de] mentes abertas e faz com que elas vejam a sexualidade de uma maneira diferente. A deles próprios e a dos outros".[58] A gravação ao vivo da digressão recebeu uma indicação vitoriosa ao Prêmio Grammy, na categoria Melhor Filme Musical, tornando-o o primeiro da cantora.[59] The Immaculate Collection, primeiro álbum de grandes sucessos de Madonna, foi lançado em novembro de 1990. A obra incluía duas músicas inéditas, "Justify My Love" e "Rescue Me".[60] Mais tarde, o disco recebeu certificação de diamante pela RIAA e vendeu mais de trinta e um milhões de réplicas em todo o mundo, tornando-se o álbum de compilação mais vendido na história por um artista solo.[22][61] "Justify My Love" alcançou a liderança nos EUA, tornando-se o nono pódio da cantora no pais.[18] Seu videoclipe apresenta cenas de BDSM, beijos homossexuais e nudez leve.[62] O vídeo foi considerado sexualmente explícito demais para a MTV e foi banido da rede.[62] Seu primeiro documentário, Truth or Dare (conhecido como In Bed with Madonna fora da América do Norte), foi liberado em maio de 1991.[63] Tornou-se o documentário de maior bilheteria de todos os tempos (sendo ultrapassado onze anos depois por Bowling for Columbine de Michael Moore).[64]

1992—97: Maverick Records, Erotica, Girlie Show World Tour, Bedtime Stories e EvitaEditar

Em 1992, Madonna interpretou Mae Mordabito, uma jogadora de uma equipe feminina de beisebol, no filme A League of Their Own. A produção alcançou a liderança nas bilheterias e se tornou o décimo filme com maior arrecadação do ano nos EUA.[65] A cantora gravou "This Used to Be My Playground", música-tema do filme, que veio a se tornar seu décimo número no Hot 100. Tornando-a, a artista feminina com o maior quantidade de singles na liderança dessa parada até aquela época.[18] No mesmo ano, Madonna patrocinou a primeira retrospectiva de seu então namorado Jean-Michel Basquiat no Museu Whitney de Arte Americana.[66] Ela também fundou sua própria empresa de entretenimento, Maverick, composta por uma gravadora, uma produtora de filmes e as divisões de edição musical, transmissões de televisão, edições de livros e merchandising. O acordo foi um empreendimento conjunto com a Time Warner e pagou a Madonna um adiantamento de 60 milhões de dólares. Concedendo a cantora 20% de royalties dos procedimentos musicais, a taxa mais alta da indústria na época, igualada apenas pela taxa de royalties de Michael Jackson estabelecida um ano antes com a Sony.[67] Mais tarde, Maverick se mostrou um grande acerto, ao produzir artistas de grande ascensão, como Alanis Morissette e Michelle Branch.[68]

Ao atingir total controle artístico com a criação da empresa,[67] Madonna liberou em seguida, seu quinto álbum de estúdio, Erotica, e seu livro de mesa, Sex. O material apresentava imagens da cantora em poses sexualmente explícitas e provocativas, fotografadas por Steven Meisel, que recebeu forte reação negativa da mídia e do público em geral, mas vendeu um milhão de exemplares em questão de dias.[69][70] A polêmica gerada acabou por ofuscar Erotica, que acabou sendo seu álbum menos vendido na época.[70] Apesar de críticas positivas, tornou-se seu primeiro disco de estúdio desde o seu álbum de estreia a não alcançar nenhum grande sucesso nos EUA. A obra conquistou a vice liderança na Billboard 200 e rendeu dois grandes sucessos que ficaram entre os dez primeiros na Hot 100, "Erotica" e "Deeper and Deeper".[17][18] Madonna continuou a explorar uma imagem sensual no suspense erótico de 1993, Body of Evidence, um filme que continha cenas de BDSM. O projeto foi mal recebido pelos críticos.[71][72] Ela também estrelou o filme Dangerous Game, que foi lançado diretamente em vídeo na América do Norte. O jornal The New York Times descreveu a produção como "irritante e dolorosa".[73]

Madonna executando "Express Yourself" durante sua The Girlie Show World Tour, em 1993.

Em setembro de 1993, Madonna embarcou na turnê mundial The Girlie Show, na qual aparecia no palco de chicotes atuando como uma dominadora, cercada por dançarinas de topless. Durante uma apresentação em Porto Rico, ela esfregou a bandeira da ilha entre as pernas, resultando em vaias da plateia.[43] Em março de 1994, ela apareceu como convidada no Late Show with David Letterman, fazendo uso de palavras obscenas que exigiam censura na televisão e entregando a Letterman uma calcinha supostamente usada e pedindo que ele a cheirasse.[74] Os lançamentos do livro, álbum e filme sexualmente explícitos e a aparência agressiva no programa de Letterman fizeram com que os críticos considerassem Madonna como uma renegada sexual. Críticos e fãs reagiram negativamente ao comportamento da cantora, ao comentarem que "ela tinha ido longe demais" e que sua carreira estava em declínio.[75] O biógrafo J. Randy Taraborrelli descreveu seu lançamento seguinte, a balada "I'll Remember" (1994), como uma tentativa de suavizar sua imagem provocativa. A música foi gravada para o filme de Alek Keshishian, With Honors.[76] A cantora fez uma aparição discreta ao lado de Letterman em uma premiação e apareceu no The Tonight Show with Jay Leno, após perceber que precisava mudar sua direção musical para sustentar sua popularidade.[77] Com seu sexto álbum de estúdio, Bedtime Stories (1994), Madonna empregou uma imagem mais suave para tentar melhorar a percepção do público.[77] A obra estreou na terceira posição da Billboard 200 e gerou dois grandes sucessos que alcançaram os cinco primeiros lugares nos EUA, "Secret" e "Take a Bow", o último no qual alcançou a liderança por sete semanas, o período mais longo que qualquer single de Madonna já esteve nessa posição.[18] Em novembro de 1995 é lançada sua primeira coletânea de baladas, Something to Remember. O disco apresentava três músicas inéditas: "You'll See", "One More Chance" e um cover de "I Want You" de Marvin Gaye.[78] Nessa época, Madonna iniciou um namoro com o jogador de basquete Dennis Rodman e em seguida com o rapper Tupac Shakur.[79][80] Shakur revelou em uma carta de 1995 a Madonna que ele terminou o relacionamento por ela ser branca.[80] Mais tarde, a cantora se envolveu romanticamente com o preparador físico Carlos Leon.[81]

No filme musical de 1996, Evita, Madonna interpretou o papel-título de Eva Perón.[82] Durante muito tempo, a cantora desejou interpreta-la e escreveu ao diretor Alan Parker onde explicou a ele o quanto seria perfeita para o papel. Ela disse mais tarde: "Esse é o papel que nasci para desempenhar. Coloquei tudo de mim nisso porque era muito mais do que um papel em um filme. Foi emocionante e intimidador ao mesmo tempo. E eu estou mais orgulhosa de Evita do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito".[83] Depois de garantir o papel, ela recebeu treinamento vocal e aprendeu sobre a história da Argentina e de Perón. Durante as filmagens, Madonna adoeceu várias vezes devido ao intenso esforço emocional necessário para as cenas.[84] A obra foi bem avaliada pela critíca, para a revista a Time, Zach Conner comentou: "É um alívio dizer que Evita é muito bom, bem elaborado e visualmente bonito. Madonna mais uma vez confunde nossas expectativas".[82] Pelo o papel, a cantora ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme Musical ou Comédia.[85] A trilha sonora de Evita, continha músicas interpretadas principalmente por Madonna, incluindo "You Must Love Me" e "Don't Cry for Me Argentina"; este último alcançou o número um em vários países da Europa.[86] A cantora foi agraciada com o Prêmio de Realização Artística por Tony Bennett no Prêmio de Música da revista Billboard em 1996.[87] Em 14 de outubro de 1996, ela deu à luz a Lourdes "Lola" Maria Ciccone Leon, sua filha com Leon.[88] O Biógrafo Mary Cross escreveu que, embora a cantora frequentemente se preocupasse com o fato de sua gravidez poder prejudicar Evita, ela alcançou alguns objetivos pessoais importantes: "Agora, com 38 anos, Madonna finalmente havia triunfado na tela e realizado seu sonho de ter um filho, ambos no mesmo ano. atingindo outro ponto de virada em sua carreira, reinventando a si mesma e sua imagem com o público".[89] Seu relacionamento com Carlos Leon terminou em maio de 1997 e ela declarou que eles se davam "melhor como bons amigos".[90][91]

1998—2002: Ray of Light, segundo filho, Music, casamento com Guy Ritchie e Drowned World TourEditar

Após o nascimento de Lourdes, Madonna se envolveu com as crenças orientais e com a Cabala, apresentado a ela pela atriz Sandra Bernhard.[92] Seu sétimo disco de estúdio, Ray of Light, (1998) refletiu essa mudança em sua percepção e imagem.[93] Ela colaborou com o produtor de música eletrônica William Orbit e queria criar um som que pudesse misturar música dance com pop e rock britânico.[94] A crítica de música, Ann Powers explicou que o que Madonna buscava com a colaboração de Orbit "era uma espécie de exuberância. Techno e rave estavam começando a acontecer na cena underground dos anos 90 e tinham muitas formas diferentes. Havia coisas muito experimentais e mais difíceis como o Aphex Twin. Havia coisas festivas como Fatboy Slim. Não era exatamente isso que Madonna queria com o trabalho. Ela queria algo para se mostrar como cantora e compositora, na verdade. E William Orbit forneceu-lhe isso".[94]

O álbum recebeu elogios da crítica, com a revista Slant considerando-o "uma das grandes obras-primas do pop dos anos 90"[95] Ray of Light foi condecorado com quatro prêmios Grammy — incluindo Melhor Álbum Pop e Melhor Gravação de Dance — e foi indicado ainda para Álbum do Ano e Gravação do Ano.[59] A Rolling Stone o listou entre os "500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos".[96] Comercialmente, o disco alcançou o número um em vários países e vendeu mais de dezesseis milhões de cópias em todo o mundo.[97] O primeiro single da obra, "Frozen", tornou-se a primeiro canção de Madonna a estrear na liderança da parada britânica, enquanto nos EUA se tornou seu sexto número dois, estabelecendo outro recorde para a cantora e fazendo dela a artista com o maior quantidade de músicas na vice liderança.[16][18] "Ray of Light", segunda música de trabalho do projeto, estreou na Billboard Hot 100 ocupando a quinta posição.[18] A edição de 1998 do livro de recordes mundiais Guinness afirmou que "nenhuma artista feminina havia vendido mais discos do que Madonna em todo o mundo".[98] A cantora fundou a Fundação Ray of Light, focada em mulheres, educação, desenvolvimento global e humanitária.[99] Em 1999, ela confirmou que interpretaria o papel de uma professora de violino no filme Music of the Heart, mas deixou o projeto, citando "diferenças criativas" com o diretor Wes Craven.[100] Ela gravou o single "Beautiful Stranger" para o filme Austin Powers: The Spy Who Shagged Me, de 1999, que lhe rendeu um Grammy de Melhor Canção Escrita para um Filme, Televisão ou Outras Mídias Visuais.[59] Madonna estrelou o filme de 2000, The Next Best Thing, e contribuiu com duas faixas para a trilha sonora do projeto; "Time Stained Still" e um cover da música de Don McLean, de 1971, "American Pie".[101]

Madonna iniciando a Drowned World Tour, com a performance de "Drowned World/Substitute for Love".

Music, seu oitavo álbum de estúdio, foi liberado em setembro de 2000. Ele apresentava elementos eletrônicos da era Ray of Light e, como seu antecessor, recebeu elogios da crítica. Colaborando com o produtor francês Mirwais Ahmadzaï, Madonna comentou: "Adoro trabalhar com [pessoas] esquisitas que ninguém conhece — as pessoas que têm talento bruto e que fazem música diferente de qualquer outra pessoa. Music tem a sonoridade do futuro".[102] Stephen Thomas Erlewine, crítico musical do portal AllMusic, sentiu que a obra "sopra em uma onda caleidoscópica de cor, técnica, estilo e substância. Tem tanta profundidade e camadas que é tão autoconsciente e sério quanto Ray of Light".[103] O álbum assumiu a posição número um em mais de 20 países do mundo e vendeu quatro milhões de cópias nos primeiros dez dias.[104] Em território americano, Music estreou no topo e se tornou seu primeiro disco a alcançar o primeiro lugar em onze anos desde Like a Prayer.[105] Produziu três singles: o número um "Music", "Don't Tell Me" e "What It Feels Like for a Girl".[18] O videoclipe de "What It Feels Like for a Girl" apresenta Madonna cometendo atos de crime e vandalismo, e foi banido pela MTV e VH1.[106]

Ela conheceu o diretor Guy Ritchie no verão de 1998, que mais tarde se tornaria seu segundo marido e deu à luz seu filho Rocco John Ritchie em 11 de agosto de 2000 em Los Angeles. Rocco e Madonna sofreram complicações na gestação devido a problemas de placenta prévia. Ele foi batizado na Catedral de Dornoch, em Dornoch, na Escócia, em 21 de dezembro de 2000. No dia seguinte, Madonna casou-se com Ritchie nas proximidades do castelo de Skibo.[107][108] Após uma hiato de oito anos sem turnê, a cantora iniciou sua Drowned World Tour em junho de 2001.[43] A digressão visitou cidades nos EUA e Europa e foi a turnê de maior bilheteria do ano por um artista solo, arrecadando 75 milhões de dólares em 47 shows esgotados.[109] Ela também lançou sua segunda coletânea de grandes sucessos, intitulada GHV2, para coincidir com o lançamento da turnê em vídeo. O disco estreou no 7º posto da Billboard 200.[110] Em seguida, estrelou o filme Swept Away, dirigido por Ritchie. Lançado diretamente em vídeo no Reino Unido, o filme foi um fracasso comercial e crítico.[111] Em maio de 2002, ela apareceu no Teatro Wyndhams em Londres na peça Up for Grabs (anunciada como 'Madonna Ritchie'), com críticas universalmente negativas e descrita como um "lixo de qualidade" por um resenhador.[112] No mês de outubro, ela lançou "Die Another Day", a canção título da franquia de filmes de James Bond, Die Another Day, no qual Madonna teve uma participação especial, descrita por Peter Bradshaw doThe Guardian como "incrivelmente engessada".[113] A música alcançou o número oito na Hot 100 e foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original.[17]

2003—06: American Life, Re-Invention Tour, Confessions on a Dance Floor, Confessions Tour e adoçãoEditar

Em 2003, após Die Another Day, Madonna colaborou com o fotógrafo de moda Steven Klein para uma exposição chamada X-STaTIC Pro=CeSS. O evento apresentava fotografias de uma sessão de fotos para a revista W e sete segmentos de vídeo. A instalação ocorreu de março a maio na galeria Deitch Projects, em Nova Iorque, e também viajou pelo mundo em um formato editado.[114] No mesmo ano, Madonna liberou seu nono álbum de estúdio, American Life, que foi baseado em suas observações da sociedade americana.[115] Larry Flick, da revista The Advocat, sentiu que a obra "era um de seus discos mais aventureiros e liricamente inteligentes", ao mesmo tempo em que o condenou como "um trabalho preguiçoso e meio arrogante ao querer ser levado a sério".[116] A música-título atingiu o número 37 no Hot 100.[18] Seu videoclipe original que apresentava violência e imagens de guerra foi cancelado, pois Madonna imaginou que ele, seria considerado antipatriótico, já que os Estados Unidos estavam em guerra com o Iraque.[117] Com quatro milhões de cópias vendidas em todo o mundo, American Life acabou por se tornar o álbum menos vendido de sua carreira naquele momento.[118] No final do ano, durante a cerimônia de premiação da MTV de 2003, Madonna fez outra performance provocativa, após beijar as cantoras Britney Spears e Christina Aguilera enquanto performava a faixa "Hollywood".[119] Em outubro de 2003, ela forneceu os vocais colaborativos ao single de Spears, "Me Against the Music".[120] Foi seguido com o lançamento do EP, Remixed & Revisited, no qual apresentava versões remixadas de músicas de American Life e incluía "Your Honesty", uma faixa inédita extraída das sessões de gravação do Bedtime Stories.[121] Madonna também assinou um contrato com a Callaway Arts & Entertainment para ser a autora de cinco livros infantis. O primeiro deles, intitulado The English Roses, foi publicado em setembro de 2003. A história era sobre quatro alunas inglesas e sua inveja e ciúme uma das outras.[122] A obra estreou no topo da lista de mais vendidos do New York Times e se tornou o livro infantil de imagens mais vendido de todos os tempos.[123] Madonna doou todos os seus lucros para a caridade infantil.[124]

Madonna com trajes militares, durante a Re-Invention World Tour, 2004.

No ano seguinte, Madonna e a Maverick processaram a Warner Music Group e sua antiga empresa controladora, Time Warner, alegando que a má administração de recursos e a má contabilidade custaram à empresa milhões de dólares. Em troca, a Warner entrou com uma ação judicial alegando que Maverick havia perdido dezenas de milhões de dólares por conta própria.[68] A disputa foi resolvida quando as ações da Maverick, de propriedade de Madonna e Ronnie Dashev, foram compradas pela Warner. A empresa da cantora e Dashev se tornou uma subsidiária da Warner Music, mas Madonna ainda estava contratada da Warner sob um contrato de gravação separado.[68] Em meados de 2004, a cantora embarcou na Re-Invention World Tour pelos EUA, Canadá e Europa. Tornou-se a turnê com maior bilheteria de 2004, faturando cerca de 120 milhões de dólares e tornando-se o tema de seu documentário I'm Going to Tell You a Secret.[125][126] Em novembro de 2004, ela foi incluída no Hall da Fama do Reino Unido como um de seus cinco membros fundadores, junto com os Beatles, Elvis Presley, Bob Marley e U2.[127] A Rolling Stone a classificou no número 36 em sua edição especial dos 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos, apresentando um artigo sobre ela escrito por Britney Spears.[128]

Madonna "crucificada" durante a apresentação de "Live to Tell", como parte da Confessions Tour, 2006.

Seu décimo álbum de estúdio, Confessions on a Dance Floor, foi lançado em novembro de 2005. A obra foi aclamada pela crítica, com Keith Caulfield, da Billboard, comentando que o disco foi um "retorno bem-vindo da rainha do pop".[129] O projeto ganhou um Grammy de Melhor Álbum de Eletrônica/Dance.[59] Confessions on a Dance Floor e seu primeiro single liberado, "Hung Up", alcançaram o número um em 40 países, ganhando um lugar no livro de recordes, Guinness.[130] A música continha uma amostra de "Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)" do ABBA, o que a tornou apenas a segunda vez em que o ABBA permitiu que seu trabalho fosse usado. Björn Ulvaeus, compositor do grupo, comentou "É uma faixa maravilhosa – 100% de música pop sólida".[131] "Sorry", a segundo música de trabalho, se tornou o décimo segundo número de Madonna no Reino Unido.[16]

Em maio de 2006, ela embarcou na Confessions Tour, que teve um milhão de expectadores e arrecadou mais de 193,7 milhões de dólares, tornando-se a digressão de maior bilheteria até hoje para uma artista feminina.[132] A cantora usou símbolos religiosos, como o crucifixo e a Coroa de Espinhos, na performance de "Live to Tell". Isso fez com que a Igreja Ortodoxa Russa e a Federação das Comunidades Judaicas do páis incitassem todos os seus membros a boicotarem o concerto.[133] Ao mesmo tempo, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) anunciou oficialmente que Madonna havia vendido mais de duzentos milhões de cópias de seus álbuns em todo o mundo.[134] Durante a digressão, Madonna fundou a organização de caridade Raising Malawi e parcialmente financiou um orfanato e viajou para esse país. Enquanto estava lá, ela decidiu adotar um garoto chamado David Banda em outubro de 2006.[135] A adoção gerou forte reação do público, porque a lei do Malauí exige que os futuros pais residam no páis por um ano antes da adoção, o que Madonna não fez.[136] Ela abordou isso ao ser entrevistada no The Oprah Winfrey Show, dizendo que não havia leis de adoção por escrito no Malauí que regulassem a adoção estrangeira. Ela descreveu como Banda sofria de pneumonia depois de sobreviver à malária e tuberculose quando o conheceu.[137] O pai biológico de Banda, Yohane, comentou: "Esses chamados ativistas de direitos humanos estão me assediando todos os dias, ameaçando-me que eu não esteja ciente do que estou fazendo ... Eles querem que eu apoie o processo no tribunal, uma coisa que não posso fazer, pois sei o que concordei com Madonna e seu marido". A adoção foi finalizada em maio de 2008.[136][137]

2007—11: Live Nation, Hard Candy, Sticky & Sweet Tour e a segunda adoçãoEditar

Madonna no Festival de Cinema de Tribeca em 2008.

Madonna lançou e tocou a música "Hey You" no concerto Live Earth em julho de 2007.[138] Ela anunciou sua saída da Warner Bros. Records e declarou um novo contrato de dez anos por 120 milhões com o Live Nation.[139] Em 2008, Madonna produziu e escreveu I Am Because We Are, um documentário sobre os problemas enfrentados pelos malauianos; cuja direção ficou a cargo de Nathan Rissman, que trabalhou como jardineiro da cantora.[140] Ela também dirigiu seu primeiro filme, Filth and Wisdom, cuja trama girava em torno de três amigos e suas aspirações. A revista Times disse que "se orgulhou", enquanto o Daily Telegraph descreveu a obra como "não necessariamente um trabalho totalmente pouco promissor [mas] Madonna faz bem em se manter nessa área".[141][142] Em 10 de março de 2008, a cantora foi incluída no Hall da Fama do Rock and Roll em seu primeiro ano de elegibilidade. Ela não cantou na cerimônia, mas pediu aos companheiros do Hall da Fama e aos nativos de Michigan, The Stooges, que apresentassem ao vivo suas músicas "Burning Up" e "Ray of Light".[143] Em abril de 2008, foi lançado seu décimo primeiro álbum de estúdio, Hard Candy, que trouxe mudanças em relação ao anterior, deixando de lado o som dance e disco e focando-se em um estilo mais urbano com influências de hip hop e dance-pop, as músicas do disco eram de natureza autobiográfica e mostrou a cantora colaborando com Justin Timberlake, Timbaland, Pharrell Williams e Nate "Danja" Hills.[144] O disco estreou na posição máxima da Billboard 200.[17] Caryn Ganz, da Rolling Stone, elogiou-o como um "impressionante aperitivo de sua próxima turnê",[145] enquanto o correspondente da BBC, Mark Savage o considerou "uma tentativa de aproveitar o [sucesso do] mercado urbano".[146]

Madonna em um trono em forma de M, durante a abertura da Sticky & Sweet Tour, em 2008.

"4 Minutes" foi lançado como primeiro single da obra e alcançou o número três na Billboard Hot 100. Foi o 37º lançamento de Madonna entre os dez primeiros na parada, igualando-a a Elvis Presley como o artista com maior quantidade de músicas a alcançar os dez primeiros.[147] No Reino Unido, ela manteve seu recorde de maior quantidade de singles número um para uma artista feminina; "4 Minutes" se tornou seu décimo terceiro.[148] No 23º Prêmio Disco de Ouro do Japão, Madonna recebeu seu quinto troféu de Artista do Ano pela Recording Industry Association of Japan, o maior número para qualquer artista.[149] Para promover ainda mais a obra, ela embarcou na turnê Sticky & Sweet, seu primeiro grande empreendimento com a Live Nation. Com um total bruto de 408 milhões, acabou por se tornar a digressão com a segunda maior bilheteria de todos os tempos, atrás de A Bigger Bang Tour, dos Rolling Stones.[150] Continuou a ser a turnê com maior bilheteria de um artista solo até que The Wall Live, de Roger Waters, o superou em 2013.[151] Em julho de 2008, Christopher Ciccone lançou um livro intitulado Life with My Sister Madonna, que causou uma brecha em sua relação com a cantora, por causa de uma publicação não solicitada.[152] No outono, Madonna pediu o divórcio de Ritchie, citando diferenças irreconciliáveis.[153] Em dezembro de 2008, o porta-voz da cantora anunciou que ela havia concordado com um acordo de divórcio com Ritchie, cujos termos lhe concederam entre 50 e 60 milhões de libras, um número que incluía o pub e a residência do casal em Londres e Wiltshire no Reino Unido.[154] Eles entraram em um acordo de compromisso para Rocco e David, então com oito e três anos, respectivamente, e dividiram o tempo das crianças entre a casa de Ritchie em Londres e a de Madonna em Nova Iorque, onde Lourdes se juntou às duas.[155] Em maio de 2009, a cantora solicitou a adoção de Chifundo "Mercy" James do Malauí, mas a Suprema Corte do país rejeitou o pedido porque Madonna não residia lá.[156] Ela recorreu da apelação e, em 12 de junho de 2009, a Suprema Corte do Malauí concedeu-lhe o direito de adotar Mercy.[157]

Madonna concluiu seu contrato com a Warner, lançando seu terceiro álbum de grandes sucessos, o Celebration, em setembro de 2009. Ele continha duas faixas inéditas, "Celebration" e "Revolver", além de 34 sucessos de sua carreira musical com o selo.[158] Celebration alcançou o número um em vários países, incluindo Canadá, Alemanha, Itália e Reino Unido.[159] Ela apareceu na cerimônia de premiação da MTV de 2009 para falar em homenagem ao falecido cantor pop Michael Jackson.[160] Madonna terminou os anos 2000 como o artista que mais vendeu singles nos EUA na década e o artista mais tocado no Reino Unido.[161][162] A Billboard também a elegeu como a terceira artista de maior bilheteria com turnês da década — atrás apenas dos Rolling Stones e U2— com um faturamento superior a 800 milhões de dólares, participação de seis milhões de pessoas e 244 mil ingressos esgotados pelos 248 shows realizados.[163] Madonna se apresentou no show Esperança para o Haiti agora: um benefício global para alívio do terremoto, em janeiro de 2010.[164] Seu terceiro álbum ao vivo, Sticky & Sweet Tour, foi lançado em abril, estreou no número dez da Billboard 200.[17] Posteriormente, ela concedeu ao programa de televisão americano Glee os direitos de todo o seu catálogo de músicas, e os produtores criaram um episódio apresentando exclusivamente suas canções.[165] Madonna dirigiu seu segundo longa-metragem, W.E., um relato biográfico sobre o caso entre o rei Eduardo VIII e Wallis Simpson. Co-escrito com Alek Keshishian, o filme estreou no 68º Festival Internacional de Cinema de Veneza em setembro de 2011.[166] A resposta crítica e comercial da obra foi negativa.[167] A cantora contribuiu com a balada "Masterpiece" para a trilha sonora do projeto, que lhe rendeu um Globo de Ouro de Melhor Canção Original.[168]

2012—17: W.E., MDNA, MDNA Tour, Rebel Heart e empreendimentos comerciaisEditar

Para a performance de "Vogue" na MDNA Tour, Madonna vestiu o icônico sutiã de cone, projetado por Jean-Paul Gaultier.

Em fevereiro de 2012, Madonna foi a atração principal do show de intervalo do 42º Super Bowl no Estádio Lucas Oil, em Indianápolis, Indiana.[169] Sua performance foi visualizada pelo Cirque Du Soleil e Jamie King e contou com LMFAO, Nicki Minaj, M.I.A. e CeeLo Green como convidados especiais. Tornando-se o show de intervalo mais assistido na história do evento superando até o jogo em si, com 114 milhões de espectadores.[170] Durante o evento, ocorreu a primeira apresentação de "Give Me All Your Luvin'", o primeiro single de seu décimo segundo álbum de estúdio. Tornou-se seu 38º lançamento a entrar na Billboard Hot 100.[169] MDNA foi lançado em março de 2012 e teve a colaboração de vários produtores, incluindo William Orbit e Martin Solveig.[171] Foi seu primeiro lançamento sob seu contrato de três álbuns com a Interscope, que ela assinou como parte de seu contrato com a Live Nation. A cantora assinou contrato com a gravadora, pois a Live Nation não era capaz de distribuir gravações musicais.[172] MDNA tornou-se o quinto disco de estúdio consecutivo de Madonna a estrear no topo da Billboard 200.[173] A obra foi promovida pela MDNA Tour, que durou de maio a dezembro de 2012.[174] A turnê abordou assuntos polêmicos como violência, armas de fogo, direitos humanos, nudez e política. Com um faturamento de 305 milhões de dólares, fruto de 88 shows esgotados, o que a tornou a digressão de maior bilheteria de 2012 e a décima turnê de maior arrecadação de todos os tempos.[175] A cantora foi eleita a celebridade mais lucrativa do ano pela Forbes, arrecadando cerca de 125 milhões.[176]

Madonna colaborou com Steven Klein e dirigiu secretprojectrevolution, um filme de 17 minutos, que foi lançado no BitTorrent em setembro de 2013.[177] Com o filme, ela lançou a iniciativa Art for Freedom, que ajudava a promover "a arte e a liberdade de expressão como um meio para enfrentar a perseguição e a injustiça em todo o mundo". O site do projeto incluiu mais de três mil inscrições relacionadas à arte desde o seu início, com Madonna monitorando regularmente e recrutando outros artistas como David Blaine e Katy Perry como curadores convidados.[178] Até 2013, sua fundação Raising Malawi havia construído dez escolas para educar quatro mil crianças no Malauí por um custo de 400 mil dólares.[179] Quando a cantora visitou as escolas em abril de 2013, Joyce Banda, presidente do país, a acusou de exagerar na contribuição a instituição de caridade.[180] Madonna ficou triste com a declaração de Banda, mas esclareceu que ela "não iria perder tempo com essas acusações ridículas". Posteriormente, foi confirmado que Banda não aprovou o comunicado divulgado por sua equipe de imprensa.[181] A cantora também visitou sua cidade natal, Detroit, em maio de 2014 e doou fundos para ajudar nas dívidas da cidade.[182]

Madonna apresentando "Music" durante a Rebel Heart Tour.

O décimo terceiro álbum de estúdio de Madonna, Rebel Heart, foi liberado em março de 2015, três meses depois de suas treze demos vazarem na Internet.[183] Ao contrário de seus trabalhos anteriores, que envolveram apenas alguns profissionais, nesse disco a cantora trabalhou com um grande número de colaboradores, incluindo Avicii, Diplo e Kanye West.[184] Madonna explicou a Jon Pareles, do jornal The New York Times, que embora ela nunca tenha revisado suas obras anteriores em seus trabalhos, relembra-los parecia ser o certo em Rebel Heart.[185] Os críticos musicais responderam positivamente ao projeto, chamando-a de seu melhor disco em uma década.[186] Rebel Heart se tornou o primeiro álbum da cantora a não conquistar a primeira posição na Billboard 200 desde Ray of Light, mas alcançou a liderança em outros grandes mercados musicais, incluindo Austrália, Canadá, Alemanha e Itália.[187] De setembro de 2015 a março de 2016, Madonna embarcou na Rebel Heart Tour para promover o projeto. A turnê viajou pela América do Norte, Europa e Ásia e foi a primeira visita da cantora à Austrália em 23 anos, onde ela também fez um show único para seus fãs.[188] Rebel Heart Tour arrecadou mais de 169 milhões de dólares em 82 shows, com mais de um milhão de ingressos vendidos.[150] Durante a turnê, Madonna se envolveu em uma batalha legal com Ritchie, pela custódia de seu filho Rocco. A disputa começou porque enquanto a digressão passava pela Inglaterra, Rocco decidiu continuar morando por lá com Ritchie, enquanto Madonna queria que ele voltasse com ela. As audiências judiciais ocorreram em Nova Iorque e Londres. Após várias deliberações, a cantora retirou seu pedido de custódia e decidiu resolver o assunto em particular.[189]

Em outubro de 2016, a Billboard nomeou Madonna a Mulher do Ano. Seu discurso "rude e brutalmente honesto" na cerimônia sobre o preconceito e o sexismo recebeu ampla cobertura da mídia.[190] No mês seguinte, a cantora, que apoiou ativamente Hillary Clinton durante a eleição presidencial dos EUA em 2016, realizou um concerto acústico improvisado no Washington Square Park em apoio apoio à campanha de Clinton.[191] Chateada porque Donald Trump ganhou a eleição, Madonna falou contra ele na Marcha das Mulheres em Washington, um dia após sua posse. Ela gerou polêmica quando disse que "pensava muito em explodir a Casa Branca". No dia seguinte, a cantora afirmou que "não era uma pessoa violenta" e que suas palavras foram "tomadas totalmente fora de contexto".[192] Em fevereiro de 2017, Madonna adotou duas irmãs gêmeas malauienses de quatro anos, chamadas Estere e Stella,[193] e se mudou com a família para Lisboa, Portugal no verão de 2017.[194] O álbum ao vivo que documenta a Rebel Heart Tour foi lançado em setembro de 2017 e ganhou o prêmio de Melhor Vídeo de Música para Artistas Ocidentais no 32º Prêmio Disco de Ouro do Japão.[195] Alguns meses antes, a casa de leilões Gotta Have Rock and Roll havia colocado à venda itens pessoais da cantora, como cartas de amor de Tupac Shakur, fitas cassetes, roupas íntimas e uma escova de cabelo. Darlene Lutz, negociante de arte que deu início ao leilão, foi processada pelos representantes da cantora como forma de impedir o acontecimento do leilão. Madonna esclareceu que seu status de celebridade "não anula meu direito de manter minha privacidade, inclusive no que diz respeito a itens altamente pessoais".[196]

2018—presente: Madame X e outros projetosEditar

Madonna, em 2019, durante uma entrevista à MTV, divulgando seu álbum Madame X

Enquanto vivia em Lisboa, Madonna conheceu Dino D'Santiago, que apresentou-a a muitos músicos locais de música fado, morna e samba. Eles regularmente a convidavam para apreciar suas apresentações, o que inspirou-a a introduzir esses elementos em seu próximo álbum de estúdio.[197] Madonna produziu o material com vários músicos, principalmente seus colaboradores de longa data Mirwais e Mike Dean.[198] Liberado em junho de 2019, Madame X foi bem recebido pela crítica especializada, com o NME considerando-o "ousado, bizarro, autobiográfico e diferente de tudo que Madonna já fez antes."[199] O projeto estreou no cume da Billboard 200, tornando-se o nono lançamento da intérprete a conquistar essa posição.[17] Todos os quatro singles lançados para promovê-lo — "Medellín", "Crave", "I Rise", e "I Don't Search I Find" — lideraram a parada de canções dance, estendendo seu recorde de artista com mais entradas em primeiro lugar no gráfico.[200] Em maio, Madonna apresentou-se na 64ª edição do Festival Eurovisão da Canção; onde cantou "Like a Prayer", e depois "Future" com o rapper Quavo.[201] Em 27 de setembro estreia a Madame X Tour, uma turnê totalmente teatral que passou por cidades selecionadas da América do Norte e Europa. Além de locais muito menores em comparação com suas digressões anteriores, Madonna implementou uma política do não uso de celulares para o público visando maximizar a intimidade do concerto.[202] De acordo com a Pollstar, a turnê arrecadou mais de 51 milhões de dólares com as vendas de ingressos.[203] No entanto, enfrentou vários cancelamentos devido à lesão recorrente no joelho da cantora e acabou abruptamente em 8 de março de 2020, três dias antes da data final planejada, depois que o governo francês proibiu reuniões de mais de mil pessoas devido à pandemia de COVID-19.[204][205] Madonna admitiu mais tarde que testou positivo para anticorpos contra o coronavírus,[206] e doou 1 milhão de dólares para a Fundação Bill e Melinda Gates como forma de ajudar a financiar a pesquisa que cria uma nova vacina para a doença.[207]

Em seguida, Madonna e Missy Elliott forneceram vocais convidados ao single "Levitating" da cantora Dua Lipa, para ser incluso ao álbum de remixes dela, Club Future Nostalgia (2020).[208] Em 7 de agosto, Madonna postou um vídeo em seu Instagram onde ela discute ideias para um roteiro com a escritora Diablo Cody.[209] Em 10 de setembro, ela confirmou em uma transmissão ao vivo no Instagram que elas estavam escrevendo um filme sobre a sua vida, a ser produzido por Amy Pascal.[210] No primeiro semestre de 2021, retornou a viver com a família na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos.[211]

Características musicaisEditar

Estilo musical e composiçãoEditar

[Madonna] é uma brilhante melodista e letrista pop. Fiquei impressionado com a qualidade de suas letras [durante as sessões do Ray of Light]... sei que ela cresceu com Joni Mitchell e Motown, e aos meus ouvidos ela representa o melhor dos dois mundos. Ela é uma compositora maravilhosa e confessional, além de ser uma excelente escritora de sucessos pop.

Rick Nowels, sobre co-escrever com Madonna.[212]

A obra musical de Madonna tem sido objeto de muita análise e escrutínio. Robert M. Grant, autor do livro Contemporary Strategy Analysis (2005), comentou que o que trouxe sucesso a cantora "certamente não é um talento naturalmente extraordinário. Como vocalista, musicista, dançarina, compositora ou atriz, os talentos de Madonna parecem modestos".[213] Ele afirma que o sucesso da cantora se deve ao fato de confiar nos talentos de outras pessoas, e que seus relacionamentos pessoais serviram como pedras angulares para as numerosas reinvenções na longevidade de sua carreira.[213] O autor acreditava que a abordagem de Madonna estava longe da sabedoria da indústria da música de "encontrar uma fórmula vencedora e cumpri-la". Sua carreira musical tem sido uma experimentação contínua com novas ideias musicais e novas imagens e uma busca constante por novos patamares de fama e aclamação. Grant concluiu que "tendo se estabelecido como a rainha da música popular, Madonna não parou por aí, mas continuou se reinventando".[214] De acordo com Thomas Harrison no livro Pop Goes the Decade: The Eighties, Madonna foi "uma artista que ultrapassou os limites" do que uma cantora poderia fazer, tanto visual quanto liricamente.[215]

Ao longo de sua carreira, Madonna esteve envolvida em escrever e produzir a maior parte de sua própria obra.[216] Stuart Price, um de seus colaboradores anteriores, disse que "você não produz Madonna, você colabora com ela. Ela é uma produtora muito boa e, obviamente, também é uma ótima escritora. Ela tem sua visão e sabe como conquistar".[217] As habilidades de composição da cantora foram desenvolvidas em 1979 durante seu tempo no Breakfast Club.[13] De acordo com Carol Gnojewski, suas primeiras tentativas de compor são percebidas como uma importante "auto-revelação".[218] Madonna mais tarde se tornou a única a escrever cinco músicas em seu álbum de estreia, incluindo "Lucky Star" que ela compôs usando um sintetizador.[219] Como compositora, ela registrou um total de 287 músicas na ASCAP, incluindo 18 canções de sua total autoria.[220] A Rolling Stone a nomeou "uma compositora exemplar com um presente para ganchos e letras indeléveis".[221] Segundo Freya Jarman-Ivens, o talento de Madonna para desenvolver ganchos "incríveis" para suas músicas permite que a letra prenda a atenção do público, mesmo sem a influência da música.[222] Apesar de ter trabalhado com produtores de vários gêneros, a Rolling Stone escreveu que as músicas da cantora foram "constantemente estampadas com sua própria sensibilidade e infladas com detalhes autobiográficos".[223] A revista criticou os "campos de composição" que ela teve que passar durante os ciclos de seus álbuns Rebel Heart e MDNA, devido ao fato de que as pessoas estão sempre com pressa. Ela esclareceu sua preferência por escrever material com outros artistas "do começo ao fim" de um disco,[224] e descreveu suas músicas como "destinadas a serem irônicas e não interpretadas literalmente, e algumas são apenas diretas: 'Abra minhas veias, esta é quem eu sou'.[225] Madonna foi nomeada para ser apresentada ao Salão da Fama dos Compositores três vezes, nas cerimônias de 2014, 2016 e 2017.[226] Em 2015, a Rolling Stone classificou-a no número 56 em sua lista dos "100 Maiores Compositores de Todos os Tempos".[223]

Madonna escreveu todas as letras e melodias parciais de "Live to Tell", uma balada adulto contemporâneo, que foi indicada por Taraborrelli como um veículo de crescimento para a cantora.[227]

Uma música eletrônica de andamento uptempo, "Ray of Light", mostra o registro vocal superior inexplorado de Madonna, que foi treinado durante as filmagens do filme musical Evita de 1996.[228]

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Madonna passou seus primeiros anos se dedicando ao rock com Breakfast Club e Emmy.[229] Enquanto tocava com Emmy, a cantora gravou cerca de 12 a 14 músicas que se assemelham ao punk rock daquele período. Suas raízes no rock também podem ser encontradas no álbum demo Pre-Madonna.[229] Stephen Thomas Erlewine observou que, com seu álbum de estreia, Madonna começou sua carreira como diva da música disco, em uma época em que não havia muitas cantoras com esse conceito. No início dos anos 80, o disco era um anátema para o pop comercial e, de acordo com Erlewine, a cantora teve um papel enorme na popularização do dance como uma música comercialmente aceita.[230] As faixas do álbum revelam várias tendências importantes que continuaram a definir seu sucesso, incluindo um forte apelo baseado na dança, ganchos cativantes, arranjos altamente polidose e seu estilo vocal. O segundo disco da artista, Like a Virgin (1984), prenunciou várias tendências em seus trabalhos posteriores. Continha referências a obras clássicas (linha de sintetizadores pizzicato que inicia a sonoridade inicial da faixa "Angel"); potencial reação negativa de grupos sociais ("Dress You Up" foi incluído na lista negra do Centro de Recursos Musicais Parental); e estilos retrô ("Shoo-Bee-Doo", homenagem de Madonna à Motown).[231]

O amadurecimento artístico de sua obra ficou visível em True Blue (1986) e Like a Prayer (1989). No primeiro, ela incorporou elementos da música clássica, a fim de envolver um público mais velho que ainda era cético em relação à sua obra.[232] Já no segundo, ela introduziu músicas gravadas ao vivo e incorporou elementos de diferentes gêneros musicais, incluindo dance, pop rock, rhythm and blues (R&B) e música gospel.[233] Sua versatilidade foi ainda explorada em I'm Breathless, que consiste predominantemente em faixas de jazz, swing e big band da década de 1930 apresentado nos espetáculos da Broadway.[234] Madonna continuou a compor baladas e canções dance-pop de andamento acelerado para Erotica (1992) e Bedtime Stories (1994). Ambas as obras exploraram elementos do new jack swing, com Jim Farber, da revista Entertainment Weekly, dizendo que "ela poderia ser vista como madrinha do ritmo".[235][236] A cantora tentou se manter contemporânea ao fundir amostras, loops de bateria e hip hop em sua música.[237] Com Ray of Light, Madonna trouxe a música eletrônica de seu status desconhecido do grande público à popularidade no cenário musical de massa.[238]

Madonna experimentou mais música folclórica e acústica em Music (2000) e American Life (2003).[239] Foi observada uma mudança no conteúdo lírico nas músicas de Music, sendo a maioria simples canções de amor, mas com um tom subjacente de melancolia.[231] Segundo a revista Q, American Life era caracterizado por "um forte ritmo techno, linhas de teclado líquidas, um coro acústico e um rap bizarro de Madonna".[240] As "canções de rock convencionais" do álbum foram repletas de letras dramáticas sobre patriotismo e composição, incluindo a aparência de um coral gospel na música "Nothing Fails".[240] Madonna voltou a explorar a música dance no Confessions on a Dance Floor, infundindo batidas de boates e música retro com letras paradoxais e metafóricas.[241] Ela se mudou musicalmente para uma direção urbana com Hard Candy (2008), misturando pop e hip hop com músicas dance-pop.[242] MDNA (2012) focou em grande parte na música eletrônica, que ela abraçava desde Ray of Light.[243] Rebel Heart derivou-se do pop e incorporou uma variedade de elementos, como house, trap, reggae e dubstep, ao passo em que suas faixas falam sobre amor, reflexões pessoais, e a introspecção da carreira da intérprete.[244][245][246] Enquanto Madame X é o álbum mais linguisticamente diverso de Madonna, cantado em inglês, espanhol e português.[247] Consistindo predominantemente em três gêneros principais: música latina, trap e art pop.[248][249]

Voz e instrumentosEditar

Madonna tocando guitarra para a apresentação de "Burning Up" durante a Rebel Heart Tour.

Possuindo um alcance vocal classificado como mezzo-soprano,[250] Madonna sempre foi auto-consciente sobre sua voz, especialmente em comparação com os seus ídolos vocais como Ella Fitzgerald, Prince e Chaka Khan.[231] Mark Bego, autor do livro Madonna: Blonde Ambition, a chamou de "vocalista perfeita para músicas mais leves que o ar", apesar de não ser o seu "maior talento".[251] De acordo com o crítico Tony Sclafani, do MSNBC, os vocais da cantora "são a chave para suas raízes no rock. Os vocalistas pop costumam cantar músicas "comportadas", mas Madonna emprega subtexto, ironia, agressão e todo tipo de idiossincrasias vocais", como John Lennon e Bob Dylan faziam".[229] A cantora usou um timbre vocal feminino e brilhante em suas primeiras obras publicadas, que se tornaram inúteis em seus trabalhos subsequentes. A mudança foi deliberada, pois ela era constantemente lembrada de como os críticos a rotulavam de "Minnie Mouse com voz de gás hélio".[231] Durante as filmagens de Evita, Madonna teve que fazer aulas de canto, o que aumentou ainda mais seu alcance vocal. Sobre essa experiência, ela comentou: "Estudei com uma treinadora vocal para Evita e percebi que havia uma parte inteira da minha voz que não estava usando. Antes, eu apenas acreditava que tinha um alcance realmente limitado e iria tirar o máximo de proveito dele".[228]

Além de cantar, Madonna tem habilidades em vários instrumentos musicais. Ela aprendeu a tocar bateria e violão com seu então namorado Dan Gilroy no final dos anos 1970, antes de ingressar na banda Breakfast Club como baterista.[218] Isso a ajudou a formar a banda Emmy, onde ela se apresentou como guitarrista e vocalista.[218] Madonna mais tarde tocou guitarra em suas gravações demos. Nas notas iniciais de Pre-Madonna, Stephen Bray escreveu: "Eu sempre pensei que ela tivesse passado por uma brilhante carreira como guitarrista rítmica".[252] Após o avanço de sua carreira, a cantora concentrou-se principalmente no canto, mas também foi creditada por tocar campana no disco Madonna (1983) e sintetizador em Like a Prayer (1989).[216] Em 1999, Madonna estudou violino por três meses para tocá-lo em seu papel de professora do instrumento no filme Music of the Heart, antes de finalmente deixar o projeto.[253] Duas décadas depois, ela decidiu tocar novamente violão durante a promoção de Music (2000). Tendo aulas com o guitarrista Monte Pittman para melhorar suas habilidades no instrumento.[254] Desde então, ela passou a tocar guitarra em todas as turnês subsequentes e em seus álbuns de estúdio.[216] No Prêmio Orville H. Gibson de Guitarra de 2002, ela recebeu uma indicação ao Prêmio Les Paul Horizon, que homenageia o guitarrista mais promissor.[255]

InfluênciasEditar

Segundo Taraborrelli, o momento decisivo da infância de Madonna foi a morte de sua amada mãe.[6] À medida que envelheciam, a cantora e suas irmãs sentiram profunda tristeza quando a memória de sua mãe começou a se afastar delas. Elas então começaram a recolher fotos dela e pensavam que ela se parecia com a poeta Anne Sexton e atrizes de Hollywood. Mais tarde, essa experiência despertaria o interesse de Madonna pela poesia, com Sylvia Plath se tornado sua poetisa favorita.[6] Mais tarde, a cantora comentou: "A angústia de perder minha mãe me deixou com um certo tipo de solidão e um desejo ardente por algo. Se eu não tivesse esse vazio, não teria sido tão motivada. Sua morte teve muito a fazer comigo dizendo — depois de superar minha mágoa — serei muito forte se não puder ter minha mãe. Vou me cuidar".[6] Taraborrelli acreditava que a devastação e o abandono que Madonna sentiu com a perda de sua mãe ensinou-lhe "uma lição valiosa, que ela teria que permanecer forte por si mesma, pois, temia fraqueza, particularmente a sua própria".[6] A autora Lucy O'Brien opina que o impacto da agressão sexual que Madonna sofreu em sua juventude foi o fator motivador de tudo o que ela fez, mais importante do que a morte de sua mãe: "Não é tanta tristeza pela morte de sua mãe que ela a dirige como o sentimento de abandono que a deixou desprotegida. Ela encontrou seu pior cenário possível, tornando-se vítima de violência masculina e, a partir de então, transformou totalmente esse sofrimento em seu trabalho, revertendo a equação a cada oportunidade".[256]

Debbie Harry looking to the right and holding a microphone
Chrissie Hynde playing guitar onstage
As musicistas Debbie Harry (esquerda) e Chrissie Hynde (direita), foram citadas por Madonna como suas maiores influências musicais e a quem ela considera serem "mulheres fortes e independentes que escreveram sua própria obra e evoluíram por conta própria".[257]

Em 1985, Madonna comentou que a primeira música a causá-la uma forte impressão foi "These Boots Are Made for Walkin'" de Nancy Sinatra; ela disse que resumia sua própria "atitude de assumir o controle".[258] Quando jovem, ela tentou ampliar seu gosto pela literatura, arte e música, e durante esse tempo interessou-se pela música clássica. Observando que seu estilo favorito era o barroco e amava Mozart e Chopin porque possuíam uma "qualidade feminina".[259] As principais influências musicais da cantora incluem Debbie Harry, Chrissie Hynde, Karen Carpenter, The Supremes e Led Zeppelin, além das dançarinas Martha Graham e Rudolf Nureyev.[257][260] Ela também cresceu ouvindo David Bowie, cujo o show foi o primeiro de rock que ela assistiu.[261] Os antecedentes ítalo-católicos de Madonna e o relacionamento com seus pais estão refletidos no álbum Like a Prayer.[48] Foi uma evocação do impacto que a religião teve em sua carreira.[262] Seu vídeo para a faixa-título contém simbolismo católico, como os estigmas. Durante a Virgin Tour, ela usou um rosário e simulou uma oração com ele no videoclipe de "La Isla Bonita".[263] O vídeo de "Open Your Heart" apresenta seu chefe repreendendo-a no idioma italiano. Na turnê mundial Who's That Girl, ela dedicou a apresentação da música "Papa Don't Preach" ao Papa João Paulo II.[263][264] Seu álbum MDNA (2012) também possui muitas influências de sua educação católica e, desde 2011, ela participa de reuniões e cultos em um centro Opus Dei, uma instituição católica que incentiva a espiritualidade através da vida cotidiana.[265]

Durante sua infância, Madonna foi inspirada por atores, dizendo mais tarde: "Eu era apaixonada por Carole Lombard, Judy Holliday e Marilyn Monroe. Elas eram incrivelmente engraçadas – e eu me vi nelas – minha feminilidade, meu conhecimento e minha inocência".[258] O videoclipe de "Material Girl" recriou o visual usado por Monroe na música "Diamonds Are a Girl's Best Friend", do filme Gentlemen Prefer Blondes (1953).[27] Ela estudou as comédias dos anos 30, particularmente as de Lombard, em preparação para o filme Who's That Girl. O vídeo de "Express Yourself" (1989) foi inspirado pelo filme mudo Metropolis (1927). Na obra "as fotografias glamouras de Hollywood, em particular as de Horst P. Horst, imitaram as poses de Marlene Dietrich, Carole Lombard e Rita Hayworth, enquanto as letras se referiam a muitas das estrelas que a inspiraram, incluindo Bette Davis, descrita por Madonna como um ídolo.[58][266] No entanto, a carreira cinematográfica da cantora foi amplamente recebida negativamente pelos críticos de cinema. Stephanie Zacharek afirmou na Time que "[Madonna] parece de madeira e antinatural como atriz, e é difícil de assistir, porque ela está claramente se esforçando ao máximo". De acordo com o biógrafo Andrew Morton a cantora "coloca um rosto corajoso [para lidar com] as críticas, mas em particular ela está profundamente magoada". Após 'Swept Away (2002) se sair um fracasso de bilheteria, Madonna prometeu que nunca mais atuaria em um filme, esperando que seu fracassado currículo cinematográfico nunca fosse discutido novamente.[267] Em 2016, uma retrospectiva de carreira, intitulada Body of Work, foi exibida no Metrograph Hall de Nova Iorque. De acordo com o Nigel M. Smith, do The Guardian, carreira da cantora nos cinemas sofreu principalmente devido à falta de material adequado fornecido a ela, e a dando uma boa chance [ela] poderia roubar a cena com toda certeza'.[268] Também lhe vieram influências do mundo da arte, como através das obras da artista mexicana Frida Kahlo.[269] O videoclipe da música "Bedtime Story" apresentava imagens inspiradas nas pinturas de Kahlo e Remedios Varo.[270] Madonna também é um colecionadora das pinturas Art Deco de Tamara de Lempicka e incluiu-os em seus vídeos de música e digressões.[271] Seu vídeo para "Hollywood" (2003) foi uma homenagem ao trabalho do fotógrafo Guy Bourdin; O filho de Bourdin posteriormente entrou com uma ação por uso não autorizado do trabalho de seu pai.[272] O uso de imagens sadomasoquistas da artista Andy Warhol em seus filmes puco populares foi refletido nos videoclipes de "Erotica" e "Deeper and Deeper".[273]

Madonna é dedicada à Cabala e, em 2004, adotou o nome Esther, que em persa significa "estrela".[274] Ela doou milhões de dólares para as escolas de Nova Iorque e Londres que ensinam o tema.[274][275] Ela enfrentou a oposição de rabinos que consideravam sua adoção a Cabala um sacrilégio e um caso de diletantismo de celebridades. A cantora defendeu seus estudos, dizendo: "Seria menos controverso se eu ingressasse no Partido Nazista", e que seu envolvimento com a Cabala "não está machucando ninguém".[276] A influência da Cabala foi posteriormente observada nas obras musicais da artista, especialmente em álbuns como Ray of Light e Music. Durante a Re-Invention World Tour, em um ponto do show, Madonna e seus dançarinos usavam camisetas com os dizeres "Cabalistas Fazem Isso Melhor"[n 1] assim como "A liberdade vem quando você aprende a deixar ir, a Criação vem quando você aprende a dizer não".[n 2][274]

Vídeos musicais e performances ao vivoEditar

Ver artigo principal: Videografia de Madonna
As apresentações ao vivo de Madonna em suas turnês costumam variar de performances coreografadas como as de "Vogue" (acima) a intimistas como as de "Paradise (Not For Me)" (abaixo).

Os biógrafos do livro The Madonna Companion, Allen Metz e Carol Benson observaram que, mais do que qualquer outro artista pop recente, Madonna havia usado a MTV e seus videoclipes para estabelecer sua popularidade e aprimorar seu trabalho gravado.[277] Segundo eles, muitas de suas músicas apresentam imagens em seus videoclipes em um contexto forte, enquanto se referem à música. O crítico cultural Mark C. Taylor, em seu livro Nots (1993), considerou que a "rainha do vídeoclipe" por excelência é Madonna. Ele ainda afirmou que "a criação mais notável da MTV foi a cantora. As respostas aos vídeos excessivamente provocativos de Madonna foram previsivelmente contraditórios".[278] A reação da mídia e do público em relação às músicas mais discutidas, como "Papa Don't Preach", "Like a Prayer" ou "Justify My Love", teve a ver com seus clipes criados para promover as canções e seu impacto, mais do que as próprias canções [em si].[277] Morton sentiu que "artisticamente, as composições de Madonna são muitas vezes ofuscadas por seus impressionantes vídeos pop".[279][280] As iniciais obras visuais da cantora refletiam seu estilo urbano e latino-americano combinado com um glamour extravagante.[277] Ela foi capaz de transmitir seu senso de moda vanguardista do centro de Nova Iorque para [todo] o público americano.[281] As imagens e a incorporação da cultura hispânica e do simbolismo católico continuaram com os videoclipes da era True Blue.[282] A autora Douglas Kellner observou que "esse 'multiculturalismo' e seus movimentos culturalmente transgressores acabaram sendo movimentos bem-sucedidos que a cativou para grandes e variadas audiências juvenis".[283] O visual hispânico de Madonna explorado em seus vídeos tornou-se a tendência de moda da época, na forma saias em camadas, acessórios com contas de rosário e um crucifixo, como no vídeo de "La Isla Bonita".[279][280]

Os acadêmicos observaram que, com seus vídeos, Madonna invertia sutilmente o papel usual do homem como o sexo dominante.[284] Esse simbolismo e imagem foram provavelmente mais prevalentes no videoclipe de "Like a Prayer". No qual incluía cenas de um coral afro-americano, Madonna sendo atraída pela estátua de um santo negro e cantando na frente de cruzes em chamas. Essa mistura de sagrado e profano perturbou o Vaticano e resultou em um boicote comercial a Pepsi.[285] Em 2003, a MTV a nomeou "A Melhor Estrela de Videoclipe de Todos os Tempos" e disse que "a inovação, criatividade e contribuição de Madonna para a forma de arte de videoclipe foram o que lhe valeu o prêmio".[286] O surgimento da cantora ocorreu durante o advento da MTV; Chris Nelson, do The New York Times, falou de artistas pop como Madonna dizendo: "A MTV, com seus vídeos, inaugurou uma era na qual os fãs comuns de música poderiam passar horas, todos os dias, assistindo seus cantores preferidos apenas dublando as palavras".[287] A relação simbiótica entre o videoclipe e a sincronização labial levou ao desejo de que o espetáculo e as imagens do videoclipe fossem transferidos para shows ao vivo. Ele acrescentou: "Artistas como Madonna e Janet Jackson estabeleceram novos padrões de carisma, com shows que incluíam não apenas roupas elaboradas e pirotecnia com precisão de tempo, mas também dança altamente atlética. Esses efeitos vieram à custa de [abrir mão de] cantar ao vivo".[287] Thor Christensen, do jornal The Dallas Morning News, comentou que, enquanto a cantora ganhou uma reputação de usar playback durante a Blond Ambition World Tour de 1990, ela posteriormente reorganizou suas performances para "fica na maior parte quieta durante as partes mais difíceis de cantar e deixa as coreografias de dança para sua trupe de apoio do que tentar cantarolar e dançar uma tempestade ao mesmo tempo".[288]

Para permitir maior movimento enquanto dançava e cantava, Madonna foi uma das primeiras a adotar os microfones de viva-voz por radiofrequência, com o fone de ouvido preso nas orelhas ou no topo da cabeça e a cápsula do microfone em um braço que estendido para a boca. Por causa de seu uso proeminente, o design de microfone passou a ser conhecido como "microfone da Madonna".[289][290] Metz observou que enquanto suas apresentações no telão são espetaculares, suas performances ao vivo são sucessos de crítica.[291] A cantora foi a primeira artista a reproduzir as cenas e movimentos de seus videoclipes em suas turnês. A autora Elin Diamond explicou que, reciprocamente, o fato de as imagens dos vídeos de Madonna poderem ser recriados em um cenário ao vivo aumenta o realismo dos vídeos originais. Ela acreditava que "suas performances ao vivo se tornaram o meio pelo qual as representações midiatizadas são naturalizadas".[292] Taraborrelli disse que, englobando multimídia, tecnologia de ponta e sistemas de som, os shows e performances ao vivo da cantora são "peças extravagantes e espetáculos de arte ambulante".[293] Madonna sempre filma suas turnês de concertos, dizendo: "É como documentar e arquivar suas obras de arte. É um registro de algo que eu criei com muitas pessoas grandes e talentosas ... Eles são os estágios da minha carreira, e eles contam uma parte importante do meu legado, por isso estou documentando-os", explicou ela. A cantora expressou seu desejo de criar um único concerto acústico e despojado "que continua a envolver música e dança [mas também] poesia e humor". Ela também queria envolver elementos de água em suas produções, mas acabou sendo desencorajada devido a problemas logísticos.[225]

LegadoEditar

Vários jornalistas especializados em música contemporânea, teóricos e autores notaram o legado de Madonna[294][295] e a consideraram a artista feminina mais influente e bem sucedida de todos os tempos.[85][296][297] Ela liderou a lista das "100 Maiores Mulheres da Música" e a lista das "20 Maiores Artistas Femininas" do VH1 e The Daily Telegraph, respectivamente.[298][299] A autora Carol Clerk escreveu que "durante sua carreira, Madonna transcendeu o termo 'estrela pop' para se tornar um ícone da cultura global".[300] A edição espanhola da Rolling Stone escreveu que "Ela se tornou a primeira mestre viral do pop na história, anos antes de a Internet ser massivamente usada. Madonna estava em toda parte; nos onipotentes canais musicais televisivos, 'fórmulas de rádio', capas de revistas e até em livrarias. Uma dialética pop, nunca visto desde o reinado dos Beatles, o que lhe permitiu manter-se à beira da tendência e da comercialidade".[301] Laura Barcella e Jessica Valenti no livro Madonna and Me: Women Writers on the Queen of Pop (2012) escreveu que "realmente, Madonna mudou todo o cenário musical, a aparência dos anos 80 e, mais significativamente, o que uma estrela pop feminina poderia (e não podia) dizer, fazer ou realizar aos olhos do público".[302] William Langley, do The Daily Telegraph, sentiu que a cantora "mudou a história social do mundo, fez mais coisas diferentes do que qualquer outra pessoa provavelmente faria".[303] Alan McGee, do jornal britânico The Guardian, sentiu que Madonna é uma artista pós-moderna, coisas que nunca mais veremos. Ele afirmou ainda que ela e Michael Jackson inventaram os termos "Rainha e Rei do Pop".[304]

Figura de cera em homenagem a Madonna exposto no Madame Tussauds em Hong Kong.

De acordo com Tony Sclafani, da rede MSNBC, "antes de Madonna, a maioria das mega estrelas da música eram roqueiros; depois dela, quase todas foram cantoras ... Quando os Beatles chegaram aos Estados Unidos, eles mudaram o paradigma de intérprete solo. Madonna o trousse novamente — [dessa vez] com ênfase na mulher".[305] Howard Kramer, diretor curador do Salão da Fama do Rock and Roll, afirmou que a cantora "e a carreira que criou para si mesma tornaram possível virtualmente todas as outras cantoras pop seguirem ... Ela certamente elevou os padrões de todas elas ... Ela redefiniu quais eram os parâmetros para artistas do gênero feminino".[306] Segundo Fouz-Hernández, cantoras subsequentes como Britney Spears, Christina Aguilera, Kylie Minogue, as Spice Girls, Destiny's Child, Jennifer Lopez, e Pink eram como suas "filhas no sentido muito direto de que elas cresceram ouvindo e admirando Madonna, e decidiram que queriam ser como ela".[307] A cantora também influenciou artistas masculinos, inspirando os líderes do rock Liam Gallagher, do Oasis, e Chester Bennington, do Linkin Park, a se tornarem músicos.[308][309]

O uso de imagens sexuais por Madonna beneficiou sua carreira e catalisou o discurso público sobre sexualidade e feminismo.[310] Como Roger Chapman documenta em seu livro Culture Wars: An Encyclopedia of Issues, Viewpoints, and Voices, Volume 1 (2010), ela atraiu condenações frequentes de organizações religiosas, conservadores sociais e grupos de vigilância paternos pelo uso de imagens e letras sexualmente explícitas, simbolismo religioso e comportamento "irreverente" em suas performances ao vivo.[311] A revista Times escreveu que ela "iniciou uma revolução entre as mulheres na música ... Suas atitudes e opiniões sobre sexo, nudez, estilo e sexualidade forçaram o público a se sentar e prestar atenção [nesses temas]".[312] O Professor John Fiske observou que o senso de poder que Madonna oferece está intimamente ligado ao prazer de exercer algum controle sobre os significados do eu, da sexualidade e das relações sociais.[313] Em Doing Gender in Media, Art and Culture (2009), os autores observaram que a cantora, como celebridade feminina, intérprete e ícone pop, é capaz de perturbar reflexões e debates feministas de pé.[314] De acordo com a feminista lésbica Sheila Jeffreys, a cantora representa a ocupação feminina do que Monique Wittig chama de "categoria de sexo", por parecer abraçar alegremente o desempenho de submissa sexual atribuído às mulheres.[315] O professor Sut Jhallyse referiu a Madonna como "um ícone feminista quase sagrado".[316]

Madonna recebeu aplausos como modelo de negócios para as mulheres de seu setor, "alcançando o tipo de controle financeiro que as mulheres lutavam há muito tempo na industria" e gerou mais de um bilhão em vendas na primeira década de sua carreira.[317] Segundo Gini Gorlinski no livro The 100 Most Influential Musicians of All Time (2010), os níveis de poder e controle da cantora era "sem precedentes" para uma mulher na indústria do entretenimento.[318] A professora Colin Barrow, da Cranfield School of Management, a descreveu como "a empresária mais inteligente dos EUA... que se mudou para o topo de sua indústria e ficou lá reinventando-se constantemente".[319] Os acadêmicos da escola London Business Schoolos a chamou de "empreendedora dinâmica" que vale a pena ser copiada; eles identificaram sua visão de sucesso, sua compreensão da indústria da música, sua capacidade de reconhecer seus próprios limites de desempenho (e, assim, trazer ajuda), sua vontade de trabalhar duro e sua capacidade de se adaptar como as chaves para seu sucesso comercial.[320] Morton escreveu que "Madonna é oportunista, manipuladora e implacável — alguém que não para até que consiga o que quer — e isso é algo que você pode conseguir às custas de talvez perder seus parentes próximos. Mas isso dificilmente importava para ela".[321]

ConquistasEditar

Madonna foi a primeira pessoa a ser introduzida na Arena Wembley, em Londres, Reino Unido.

Madonna é a mulher mais rica da indústria da música, com um patrimônio líquido estimado entre 590 a 800 milhões de dólares.[322][323] Ela já vendeu mais de 300 milhões de discos em todo o mundo.[324] O livro de recordes mundiais Guinness a reconheceu como a artista feminina mais comercializada de todos os tempos.[325] De acordo com a Recording Industry Association of America (RIAA), ela é a artista feminina do século XX que mais vendeu obras e a terceira artista feminina com mais álbuns certificados nos Estados Unidos, com 64,5 milhões de obras certificadas.[326] Madonna é a artista que mais recebeu certificados de todos os tempos no Reino Unido, com 45 prêmios da British Phonographic Industry (BPI) até abril de 2013.[327]

Madonna continua sendo a artista solo de maior bilheteria de todos os tempos, com mais de 1,4 bilhões em ganhos com turnês ao longo de sua carreira.[328] A partir de 2016, a Billboard Boxscore classificou a cantora como a terceira artista de maior bilheteria de todos os tempos desde 1990, com mais de 1,31 bilhões com shows, atrás apenas das bandas Rolling Stones (1,84 bilhões) e U2 (1,67 bilhões).[150] Madonna também continua sendo a única mulher na história, a ter dois concertos solos com a participação de cem mil pessoas; sua Who's That Girl World Tour no Parc de Sceaux, Paris, que atraiu mais de 130 mil espectadores, enquanto o sua Girlie Show World Tour no Maracanã, no Rio de Janeiro, atraiu mais de 120 mil pessoas.[45][329] A cantora também foi condecorada com sete Grammys e vinte troféus da MTV, incluindo o Prêmio Vídeo Vanguarda de 1986 pelo qual ela se tornou a primeira mulher a obtê-lo.[59][330]

De acordo com a Billboard, Madonna é a artista solo de maior sucesso na história da tabela Hot 100 — a segunda no geral atrás dos Beatles — e a artista mais bem-sucedida de todos os tempos na tabela dance .[331][332] Com um total de 50 músicas no topo dessa parada, fazendo dela a artista com o maior número de canções em primeiro lugar em uma tabela da Billboard, saindo na frente de George Strait com 44 canções em número um na parada de canções country.[333] Ela também conseguiu emplacar 38 singles entre os dez primeiros no Hot 100, mais do que qualquer outro artista da história.[334] Internacionalmente, Madonna detém o recorde de maior quantidade de singles em número um por uma artista feminina na Austrália (11),[335] Canadá (25),[336][337] Itália (23),[338] Espanha (21),[339][340] e Reino Unido (13).[341] No 40º aniversário da parada GfK Media Control, a cantora foi classificada como a artista de maior sucesso na história das tabelas alemãs.[342]

DiscografiaEditar

TurnêsEditar

FilmografiaEditar

Ver artigo principal: Filmografia de Madonna

Filmes dirigidos

Ver tambémEditar

Notas de rodapé

  1. No original: "Kabbalists Do It Better".
  2. No original: "Freedom comes when you learn to let go, Creation comes when you learn to say no".

Referências

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