Gnome globe current event.svg
Este artigo ou seção se refere ou tem relação com um evento atual.
A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (Editado pela última vez em 20 de setembro de 2018.)
Atentado contra Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro no momento em que é esfaqueado
Local Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil
Data 6 de setembro de 2018
Arma(s) Faca
Mortes 0
Feridos 1
Alvo(s) Jair Bolsonaro
Responsável(is) Adélio Bispo de Oliveira

Um atentado foi cometido contra o militar da reserva e político brasileiro Jair Bolsonaro durante sua campanha eleitoral para a presidência do Brasil em 6 de setembro de 2018. O crime ocorreu na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais; o autor foi Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, natural de Montes Claros em Minas Gerais, que desferiu um golpe de faca no candidato.[1][2]

AtaqueEditar

A programação da campanha presidencial de Jair Bolsonaro previu a chegada do candidato a Juiz de Fora às 11 horas de 6 de setembro. Bolsonaro visitaria o Hospital Ascomcer e participaria de um almoço com lideranças empresariais. Em seguida, faria um ato público em frente à Câmara Municipal da cidade, no Parque Halfeld, de onde iria para a Praça da Estação, onde realizaria seu comício. Assim como os outros candidatos, Bolsonaro era escoltado por agentes da Polícia Federal.[3] Jair Bolsonaro foi esfaqueado enquanto era carregado nos ombros por simpatizantes em um evento de campanha na rua Halfeld, uma das mais importantes da região central da cidade mineira de Juiz de Fora. Foi ferido no abdômen, sofrendo uma lesão em uma veia abdominal que irriga o intestino, que causou uma grave hemorragia.[4] O deputado federal foi levado prontamente à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, dando entrada na emergência por volta de 15h 40,[5] com uma lesão por material perfurocortante no abdômen. O candidato foi submetido a uma laparotomia exploratória.[6]

AutorEditar

Adélio Bispo de Oliveira
Nascimento 6 de maio de 1978 (40 anos)
Montes Claros
Nacionalidade brasileiro

O autor da tentativa de homicídio foi preso em flagrante pela Polícia Federal e identificado como Adélio Bispo de Oliveira (Montes Claros, 6 de maio de 1978).[7] Adélio Bispo afirmou ter cometido o crime "a mando de Deus". Em seu perfil no Facebook constam críticas à classe política em geral, ao presidente Michel Temer e teorias da conspiração contra a Maçonaria. O autor do atentado foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014 e já respondia a um processo por lesão corporal que teria sido cometida em 2013. Uma sobrinha afirmou que Adélio foi missionário evangélico e que tinha se afastado da família, dizendo também que ele "tinha ideias conturbadas".[8]

Adélio esteve no Clube de Tiro .38 em São José, na região da Grande Florianópolis, no dia 5 de julho de 2018, após receber informações de que lá frequentavam dois filhos de Jair Bolsonaro, um deles o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Isso poderia indicar uma possível premeditação de quase dois meses para a execução do atentado.[9]

RecuperaçãoEditar

Faca utilizada no atentado.

O alto grau de complexidade da cirurgia na qual Bolsonaro foi submetido pode impossibilitá-lo de continuar sua campanha no primeiro turno das eleições de 2018, por conta do tempo mínimo de 1 a 2 meses de recuperação.[6] Logo após a cirurgia, o senador Magno Malta gravou um vídeo de Bolsonaro, na cama do hospital. Bolsonaro disse que havia sentido apenas uma pancada, mas, depois que percebeu o que havia ocorrido, "a dor era insuportável". Bolsonaro disse que se "preparava para um momento como esse, porque você corre riscos." Ele questionou: "Como que o ser humano é tão mau assim? Eu nunca fiz mal a ninguém".[10]

De acordo com os médicos da Santa Casa de Juiz de Fora, Bolsonaro perdeu de 40 a 50 por cento do sangue do corpo. “Um homem adulto como ele tem entre cinco e cinco litros e meio". Ele precisou de quatro bolsas de sangue durante a transfusão. De acordo com a médica e diretora do hospital, por questão de centímetros Bolsonaro não foi golpeado em “uma região com muitos vasos mais calibrosos”.[11] O ataque lesionou a veia mesentérica superior além do intestino grosso e delgado.[12]

Hospital Israelita Albert Einstein.

Ainda no dia 7 de setembro, Bolsonaro foi transferido para o Hospital Albert Einstein, por volta das 8h20. [13]

O primeiro boletim médico após o atentado foi divulgado no dia 9 de setembro. O boletim médico diz que "o quadro abdominal apresentou melhora nas últimas 24 horas e o paciente persiste em cuidados intensivos e com progresso do tempo de permanência fora de leito e caminhada".[14]

O boletim médico divulgado no dia 10 de setembro diz que estado de Bolsonaro é grave e que, mais para frente, será realizada outra cirurgia, para reconstruir o trânsito intestinal e retirar a bolsa de colostomia.[15]

O boletim médico divulgado no dia 11 de setembro diz que Bolsonaro apresentou melhora intestinal.[16] No mesmo dia, Flávio Bolsonaro disse que Bolsonaro fez sua primeira alimentação via oral, passando de recuperação intensiva para semi-intensiva.[17]

No dia 12 de setembro, Bolsonaro teve alimentação oral suspensa devido a uma distensão abdominal.[18] No mesmo dia, Bolsonaro passou por uma cirurgia de emergência para desobstruir a aderência das paredes intestinais.[19] Bolsonaro evoluiu bem após a cirurgia.[20]

Bolsonaro se manteve em condições clínicas estáveis no dia 14[21] e realizou fisioterapia mais tarde.[22] Bolsonaro se manteve estável no dia 15.[23]

No dia 16 de setembro, Bolsonaro recebeu alta da UTI e foi para a unidade semi-intensiva.[24]

RepercussãoEditar

Edição 2599 da revista Veja, lançada no dia seguinte ao atentado.

Logo após o ocorrido, diversas contas falsas de Adélio foram criadas em redes sociais. O perfil oficial do criminoso no Facebook já colecionava mais de 9,5 mil seguidores duas horas após ter sido preso. No Twitter, o ataque foi mencionado 808 mil vezes em duas horas, segundo a Fundação Getúlio Vargas. O assunto foi o mais comentado no site em doze países, da Argentina à Espanha, passando por Estados Unidos e Bahrein.[25]

Os demais candidatos à presidência cancelaram suas respectivas agendas para 7 de setembro, dia seguinte ao acontecimento. Todos divulgaram notas de repúdio e cobraram investigações sobre o ocorrido.[26][27]

O presidente Michel Temer classificou o ataque como intolerável, reiterando sua indignação com a impossibilidade de vivência harmoniosa num estado democrático de direito no qual não seja plausível a realização de uma campanha tranquila.[28]

Diversos ministros se pronunciaram sobre o ocorrido. Eliseu Padilha, da Casa Civil da Presidência, disse que a facada atingiu "em cheio" a democracia. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Ronaldo Fonseca, também condenou veementemente o episódio.[28]

Um atentado político a um candidato presidencial na América Latina não ocorria desde 1994, com a morte de Luis Donaldo Colosio, candidato à presidência do México.[29]

Candidato a vice-presidente na coligação de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão afirmou que a campanha precisa "acabar com vitimização" ligada ao atentado.[30]

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Jair Bolsonaro é vítima de atentado em Juiz de Fora». Tribuna de Minas. 6 de setembro de 2018 
  2. «Jair Bolsonaro é esfaqueado em Juiz de Fora». Terça Livre 
  3. «Bolsonaro visita Juiz de Fora na véspera do feriado». Tribuna de Minas. 3 de setembro de 2018 
  4. «Complexa, cirurgia em Bolsonaro deve tirá-lo da campanha de 1º turno». UOL 
  5. «Jair Bolsonaro leva facada durante ato de campanha em Juiz de Fora». G1. Globo. 6 de setembro de 2018. Consultado em 8 de setembro de 2018. 
  6. a b «Complexa, cirurgia em Bolsonaro deve tirá-lo da campanha de 1º turno». UOL 
  7. «Advogado diz que Adélio agiu por motivação religiosa e política». Jornal Tribuna de Minas. 7 de setembro de 2018. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  8. «Quem é o autor do ataque a Bolsonaro». El País. 7 de setembro de 2018 
  9. «Suspeito de esfaquear Bolsonaro esteve em clube de tiro». R7. 6 de setembro de 2018 
  10. Borges, Liliana (7 de setembro de 2018). «Bolsonaro já falou após esfaqueamento: "Nunca fiz mal a ninguém"». Público. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  11. «Bolsonaro perdeu quase metade do sangue do corpo diz médica». UOL 
  12. «Jair Bolsonaro é Transferido para São Paulo». Folha de S. Paulo. Folha da manhã 
  13. de Andrade, Hanrrikson; Adorno, Luís (7 de setembro de 2018). «Bolsonaro é transferido para São Paulo». UOL. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  14. «Bolsonaro segue em boa recuperação, diz 1° boletim médico deste domingo». Estado de Minas. 9 de setembro de 2018. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  15. «Bolsonaro precisará de nova cirurgia, afirma boletim médico». CartaCapital. 10 de setembro de 2018. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  16. «Bolsonaro apresenta melhora intestinal e voltará a receber alimentação via oral, diz boletim médico». G1. 11 de setembro de 2018. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  17. Cipriani, Juliana (11 de setembro de 2018). «Bolsonaro vai para semi-intensiva, faz refeição e agradece Juiz de Fora pelo 'grande dia'». Estado de Minas. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  18. «Bolsonaro segue estável e tem alimentação oral suspensa, diz boletim médico». G1. 12 de setembro de 2018. Consultado em 12 de setembro de 2018. 
  19. «Jair Bolsonaro passa por nova cirurgia». G1. 12 de setembro de 2018. Consultado em 13 de setembro de 2018. 
  20. «Bolsonaro evolui bem após cirurgia no intestino, diz boletim médico». G1. 13 de setembro de 2018. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  21. Moraes, Juliana (14 de setembro de 2018). «Bolsonaro está em 'condições clínicas estáveis' após cirurgia». R7.com. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  22. Pereira, Pablo (14 de setembro de 2018). «Bolsonaro faz fisioterapia e não apresenta sinais de infecção». Estadão. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  23. «Bolsonaro 'mantém estabilidade e não apresenta complicações', diz boletim médico». Último Segundo. 15 de setembro de 2018. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  24. «Bolsonaro recebe alta da UTI e segue para semi-intensiva». Terra. 16 de setembro de 2018. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  25. «Facebook é inundado de perfis fake do suspeito de esfaquear Bolsonaro». UOL 
  26. «Candidatos à Presidência repudiam ataque a Bolsonaro; veja reações». UOL 
  27. «Presidenciáveis cancelam agendas de campanha após ataque a Bolsonaro». UOL 
  28. a b «Temer afirma que é 'intolerável' ataque a Bolsonaro em Juiz de Fora». G1. Brasília: Globo. 6 de setembro de 2018 
  29. Paula Adamo Idoeta (6 de setembro de 2018). «Atentado a candidato presidencial é algo que América Latina não via há 20 anos, diz brasilianista». BBC News. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  30. «'Esse troço já deu o que tinha que dar', diz vice de Bolsonaro sobre 'vitimização' após atentado contra o candidato». G1